Em regra, não é possível ter crédito habitação sem entrada: o Banco de Portugal recomenda que o empréstimo para habitação própria e permanente não passe de 90% do valor da casa. A grande exceção em 2026 é a garantia pública para jovens até 35 anos, que pode levar o financiamento a 100%. Mesmo assim, a compra tem impostos e despesas que o banco não financia.
Crédito habitação sem entrada em resumo
| Limite geral | Até 90% do valor da casa na habitação própria e permanente |
| Outras finalidades | Até 80% (por exemplo, segunda habitação ou casa para arrendar) |
| Valor da casa que conta | O mais baixo entre o preço de compra e o valor da avaliação |
| Financiamento a 100% | Possível com a garantia pública para jovens dos 18 aos 35 anos, em contratos até 31 de dezembro de 2026 |
| Despesas fora do empréstimo | Imposto do selo, IMT, escritura, registos, avaliação e comissões |
| Crédito pessoal para a entrada | Conta para a taxa de esforço e tem, em regra, prazo máximo de 7 anos |
| Taxa de esforço | Em 2026, em regra, todas as prestações até 45% do rendimento líquido |
É possível pedir crédito habitação sem entrada?
Para a maioria das pessoas, não. Os novos créditos devem respeitar limites fixados pelo Banco de Portugal. Um deles é o rácio LTV, a relação entre o montante do empréstimo e o valor da casa dada em garantia. Segundo o Portal do Cliente Bancário, o empréstimo não deve passar de:
- 90% do valor do imóvel, num crédito para habitação própria e permanente;
- 80% do valor do imóvel, quando o crédito tem outra finalidade.
Isto quer dizer que, numa casa de 200 000 euros para morar, o banco empresta, no máximo, 180 000 euros. Os outros 20 000 euros são a entrada, paga com dinheiro próprio. Estes limites são máximos: o banco pode emprestar menos, conforme a sua avaliação de cada cliente.
Porque é que a avaliação da casa pode aumentar a entrada
O valor do imóvel usado nesta conta é o mais baixo entre o preço de compra e o valor da avaliação feita para o banco. Se a avaliação ficar abaixo do preço, a entrada sobe.
Exemplo: o preço é de 200 000 euros, mas a avaliação dá 190 000 euros. O banco usa os 190 000 euros e empresta, no máximo, 171 000 euros (90%). O comprador tem de pagar 29 000 euros do seu bolso, e não 20 000. Antes de assinar o contrato-promessa, convém deixar margem para esta diferença.
Crédito habitação a 100%: quem pode ter?
Em 2026, o caminho oficial para financiar a totalidade da casa é a garantia pública do Decreto-Lei n.º 44/2024. O Estado fica fiador do banco por uma parte do empréstimo, até 15% do valor da transação. Com essa proteção, o banco pode emprestar até 100% do valor da casa.
Os principais requisitos são ter entre 18 e 35 anos, domicílio fiscal em Portugal, rendimentos até ao 8.º escalão do IRS, não ser proprietário de uma habitação e nunca ter usado esta garantia. A casa tem de ser a primeira habitação própria e permanente, com valor até 450 000 euros. Os contratos têm de ser assinados até 31 de dezembro de 2026, salvo prorrogação.
A garantia não obriga o banco a aprovar o crédito e não baixa a taxa de juro. Todas as regras estão no guia sobre o crédito habitação jovem com garantia pública.
E quem tem mais de 35 anos?
Quem não cumpre os requisitos da garantia pública fica, em regra, no limite de 90%. Os limites do Banco de Portugal não se aplicam a alguns contratos, como a locação financeira de imóveis. A locação financeira é um contrato diferente do crédito à habitação, com regras próprias, e deve ser comparada com cuidado antes de avançar.
Quanto dinheiro é preciso para comprar casa sem entrada?
Mesmo com 100% de financiamento, há custos que o banco não empresta. A garantia pública cobre só o valor da casa, não os impostos nem as despesas. Os principais custos são estes:
- Imposto do selo sobre a compra: 0,8% sobre o preço ou sobre o valor patrimonial tributário (VPT) da casa, o que for mais alto, segundo a Tabela Geral do Imposto do Selo.
- Imposto do selo sobre o empréstimo: 0,6% do montante financiado, nos créditos com prazo igual ou superior a 5 anos. Sobre as comissões do banco, o imposto do selo é de 4%.
- IMT: depende do valor e da finalidade da casa. Os jovens até 35 anos podem ter isenção de IMT e de imposto do selo na compra da primeira habitação própria e permanente, com requisitos e limites de valor previstos na lei, reunidos na página IMT Jovem do Portal das Finanças.
- Escritura e registos: os custos de formalizar a compra e a hipoteca.
- Banco: a comissão de análise do pedido (só pode haver uma) e a avaliação da casa.
- Seguros: os seguros exigidos pelo banco, normalmente de vida e multirriscos, pagos durante o contrato.
Uma conta ilustrativa para uma pessoa com mais de 35 anos, sem isenções, com o valor de compra igual à avaliação e acima do VPT:
| Preço da casa | Entrada (10%) | Imposto do selo da compra (0,8%) | Imposto do selo do empréstimo (0,6% de 90%) | Subtotal sem IMT nem outras despesas |
|---|---|---|---|---|
| 150 000 euros | 15 000 euros | 1 200 euros | 810 euros | 17 010 euros |
| 200 000 euros | 20 000 euros | 1 600 euros | 1 080 euros | 22 680 euros |
| 250 000 euros | 25 000 euros | 2 000 euros | 1 350 euros | 28 350 euros |
A estes valores somam-se o IMT, a escritura, os registos, a avaliação e a comissão de análise. Peça ao banco a lista dos custos iniciais e confirme o IMT antes de fazer uma proposta pela casa.
Posso usar um crédito pessoal para pagar a entrada?
Pode ser tentador, mas tem riscos. O crédito pessoal tem, em regra, um prazo máximo de 7 anos, por isso a prestação é alta. E entra na taxa de esforço: o banco soma a prestação da casa com a do crédito pessoal e compara o total com o rendimento líquido.
Em 2026, o Banco de Portugal recomenda que essa soma não passe, em regra, de 45% do rendimento líquido. Um crédito pessoal para a entrada pode, por isso, reduzir o valor que o banco aceita emprestar para a casa, ou levar à recusa.
Antes de decidir, faça as contas com o guia sobre como calcular a taxa de esforço. Veja também quanto custa cada prestação com o guia sobre como calcular a prestação do crédito habitação.
Como juntar a entrada mais depressa
- Defina o valor alvo: 10% do preço da casa que procura, mais os impostos e despesas da tabela acima.
- Faça um orçamento mensal e separe a poupança logo no dia em que recebe o ordenado.
- Procure casas com um preço que deixe margem para uma avaliação mais baixa.
- Se comprar a dois, os rendimentos de ambos contam para a taxa de esforço, e a poupança dos dois conta para a entrada.
- Liquide créditos pequenos antes de pedir o empréstimo, para baixar a taxa de esforço.
- Se tem até 35 anos, confirme se cumpre os requisitos da garantia pública e do IMT Jovem antes de procurar casa.
O banco vai ver todos os seus créditos na Central de Responsabilidades de Crédito. Um mapa de responsabilidades atualizado ajuda a perceber o que o banco vai encontrar.
Perguntas frequentes
É possível ter crédito habitação sem entrada em 2026?
Em regra, não: o limite para habitação própria e permanente é de 90% do valor da casa. A exceção principal é a garantia pública para jovens dos 18 aos 35 anos, que pode levar o financiamento a 100% em contratos assinados até 31 de dezembro de 2026.
Quanto preciso de entrada para comprar casa?
Pelo menos 10% do valor da casa, contado pelo mais baixo entre o preço e a avaliação. A isso somam-se o imposto do selo, o IMT, a escritura, os registos e as despesas do banco.
O banco pode financiar a entrada com um crédito pessoal?
Pode conceder um crédito pessoal, mas a prestação conta para a taxa de esforço e o prazo máximo é, em regra, de 7 anos. Na prática, isso pode baixar o montante aprovado para a casa ou levar à recusa.
Com a garantia pública já não pago nada no início?
Não é bem assim. A garantia pode cobrir o valor da casa até 100%, mas não paga impostos, escritura, registos, avaliação nem seguros. Os jovens podem ainda ter isenção de IMT e de imposto do selo na compra, se cumprirem os requisitos.
E se for para uma segunda casa ou para arrendar?
Nesse caso, o limite recomendado é de 80% do valor do imóvel. A garantia pública para jovens também não se aplica, porque exige que seja a primeira habitação própria e permanente.
O que fazer a seguir
Calcule quanto precisa de ter no início: 10% do preço da casa, mais impostos e despesas. Se tem até 35 anos, reúna a última nota de liquidação do IRS e confirme os requisitos da garantia pública. Depois peça a dois ou três bancos a FINE e a lista de custos iniciais, para comparar o dinheiro total que tem de ter disponível.
Tem dívidas que já não consegue pagar?
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