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Crédito habitação sem entrada: é possível financiar 100%?

Por Equipa editorialAtualizado em 29 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

Advogado no escritório de advocacia

Em regra, não é possível ter crédito habitação sem entrada: o Banco de Portugal recomenda que o empréstimo para habitação própria e permanente não passe de 90% do valor da casa. A grande exceção em 2026 é a garantia pública para jovens até 35 anos, que pode levar o financiamento a 100%. Mesmo assim, a compra tem impostos e despesas que o banco não financia.

Crédito habitação sem entrada em resumo

Limite geralAté 90% do valor da casa na habitação própria e permanente
Outras finalidadesAté 80% (por exemplo, segunda habitação ou casa para arrendar)
Valor da casa que contaO mais baixo entre o preço de compra e o valor da avaliação
Financiamento a 100%Possível com a garantia pública para jovens dos 18 aos 35 anos, em contratos até 31 de dezembro de 2026
Despesas fora do empréstimoImposto do selo, IMT, escritura, registos, avaliação e comissões
Crédito pessoal para a entradaConta para a taxa de esforço e tem, em regra, prazo máximo de 7 anos
Taxa de esforçoEm 2026, em regra, todas as prestações até 45% do rendimento líquido

É possível pedir crédito habitação sem entrada?

Para a maioria das pessoas, não. Os novos créditos devem respeitar limites fixados pelo Banco de Portugal. Um deles é o rácio LTV, a relação entre o montante do empréstimo e o valor da casa dada em garantia. Segundo o Portal do Cliente Bancário, o empréstimo não deve passar de:

  • 90% do valor do imóvel, num crédito para habitação própria e permanente;
  • 80% do valor do imóvel, quando o crédito tem outra finalidade.

Isto quer dizer que, numa casa de 200 000 euros para morar, o banco empresta, no máximo, 180 000 euros. Os outros 20 000 euros são a entrada, paga com dinheiro próprio. Estes limites são máximos: o banco pode emprestar menos, conforme a sua avaliação de cada cliente.

Porque é que a avaliação da casa pode aumentar a entrada

O valor do imóvel usado nesta conta é o mais baixo entre o preço de compra e o valor da avaliação feita para o banco. Se a avaliação ficar abaixo do preço, a entrada sobe.

Exemplo: o preço é de 200 000 euros, mas a avaliação dá 190 000 euros. O banco usa os 190 000 euros e empresta, no máximo, 171 000 euros (90%). O comprador tem de pagar 29 000 euros do seu bolso, e não 20 000. Antes de assinar o contrato-promessa, convém deixar margem para esta diferença.

Crédito habitação a 100%: quem pode ter?

Em 2026, o caminho oficial para financiar a totalidade da casa é a garantia pública do Decreto-Lei n.º 44/2024. O Estado fica fiador do banco por uma parte do empréstimo, até 15% do valor da transação. Com essa proteção, o banco pode emprestar até 100% do valor da casa.

Os principais requisitos são ter entre 18 e 35 anos, domicílio fiscal em Portugal, rendimentos até ao 8.º escalão do IRS, não ser proprietário de uma habitação e nunca ter usado esta garantia. A casa tem de ser a primeira habitação própria e permanente, com valor até 450 000 euros. Os contratos têm de ser assinados até 31 de dezembro de 2026, salvo prorrogação.

A garantia não obriga o banco a aprovar o crédito e não baixa a taxa de juro. Todas as regras estão no guia sobre o crédito habitação jovem com garantia pública.

E quem tem mais de 35 anos?

Quem não cumpre os requisitos da garantia pública fica, em regra, no limite de 90%. Os limites do Banco de Portugal não se aplicam a alguns contratos, como a locação financeira de imóveis. A locação financeira é um contrato diferente do crédito à habitação, com regras próprias, e deve ser comparada com cuidado antes de avançar.

Quanto dinheiro é preciso para comprar casa sem entrada?

Mesmo com 100% de financiamento, há custos que o banco não empresta. A garantia pública cobre só o valor da casa, não os impostos nem as despesas. Os principais custos são estes:

  • Imposto do selo sobre a compra: 0,8% sobre o preço ou sobre o valor patrimonial tributário (VPT) da casa, o que for mais alto, segundo a Tabela Geral do Imposto do Selo.
  • Imposto do selo sobre o empréstimo: 0,6% do montante financiado, nos créditos com prazo igual ou superior a 5 anos. Sobre as comissões do banco, o imposto do selo é de 4%.
  • IMT: depende do valor e da finalidade da casa. Os jovens até 35 anos podem ter isenção de IMT e de imposto do selo na compra da primeira habitação própria e permanente, com requisitos e limites de valor previstos na lei, reunidos na página IMT Jovem do Portal das Finanças.
  • Escritura e registos: os custos de formalizar a compra e a hipoteca.
  • Banco: a comissão de análise do pedido (só pode haver uma) e a avaliação da casa.
  • Seguros: os seguros exigidos pelo banco, normalmente de vida e multirriscos, pagos durante o contrato.

Uma conta ilustrativa para uma pessoa com mais de 35 anos, sem isenções, com o valor de compra igual à avaliação e acima do VPT:

Preço da casaEntrada (10%)Imposto do selo da compra (0,8%)Imposto do selo do empréstimo (0,6% de 90%)Subtotal sem IMT nem outras despesas
150 000 euros15 000 euros1 200 euros810 euros17 010 euros
200 000 euros20 000 euros1 600 euros1 080 euros22 680 euros
250 000 euros25 000 euros2 000 euros1 350 euros28 350 euros

A estes valores somam-se o IMT, a escritura, os registos, a avaliação e a comissão de análise. Peça ao banco a lista dos custos iniciais e confirme o IMT antes de fazer uma proposta pela casa.

Posso usar um crédito pessoal para pagar a entrada?

Pode ser tentador, mas tem riscos. O crédito pessoal tem, em regra, um prazo máximo de 7 anos, por isso a prestação é alta. E entra na taxa de esforço: o banco soma a prestação da casa com a do crédito pessoal e compara o total com o rendimento líquido.

Em 2026, o Banco de Portugal recomenda que essa soma não passe, em regra, de 45% do rendimento líquido. Um crédito pessoal para a entrada pode, por isso, reduzir o valor que o banco aceita emprestar para a casa, ou levar à recusa.

Antes de decidir, faça as contas com o guia sobre como calcular a taxa de esforço. Veja também quanto custa cada prestação com o guia sobre como calcular a prestação do crédito habitação.

Como juntar a entrada mais depressa

  1. Defina o valor alvo: 10% do preço da casa que procura, mais os impostos e despesas da tabela acima.
  2. Faça um orçamento mensal e separe a poupança logo no dia em que recebe o ordenado.
  3. Procure casas com um preço que deixe margem para uma avaliação mais baixa.
  4. Se comprar a dois, os rendimentos de ambos contam para a taxa de esforço, e a poupança dos dois conta para a entrada.
  5. Liquide créditos pequenos antes de pedir o empréstimo, para baixar a taxa de esforço.
  6. Se tem até 35 anos, confirme se cumpre os requisitos da garantia pública e do IMT Jovem antes de procurar casa.

O banco vai ver todos os seus créditos na Central de Responsabilidades de Crédito. Um mapa de responsabilidades atualizado ajuda a perceber o que o banco vai encontrar.

Perguntas frequentes

É possível ter crédito habitação sem entrada em 2026?

Em regra, não: o limite para habitação própria e permanente é de 90% do valor da casa. A exceção principal é a garantia pública para jovens dos 18 aos 35 anos, que pode levar o financiamento a 100% em contratos assinados até 31 de dezembro de 2026.

Quanto preciso de entrada para comprar casa?

Pelo menos 10% do valor da casa, contado pelo mais baixo entre o preço e a avaliação. A isso somam-se o imposto do selo, o IMT, a escritura, os registos e as despesas do banco.

O banco pode financiar a entrada com um crédito pessoal?

Pode conceder um crédito pessoal, mas a prestação conta para a taxa de esforço e o prazo máximo é, em regra, de 7 anos. Na prática, isso pode baixar o montante aprovado para a casa ou levar à recusa.

Com a garantia pública já não pago nada no início?

Não é bem assim. A garantia pode cobrir o valor da casa até 100%, mas não paga impostos, escritura, registos, avaliação nem seguros. Os jovens podem ainda ter isenção de IMT e de imposto do selo na compra, se cumprirem os requisitos.

E se for para uma segunda casa ou para arrendar?

Nesse caso, o limite recomendado é de 80% do valor do imóvel. A garantia pública para jovens também não se aplica, porque exige que seja a primeira habitação própria e permanente.

O que fazer a seguir

Calcule quanto precisa de ter no início: 10% do preço da casa, mais impostos e despesas. Se tem até 35 anos, reúna a última nota de liquidação do IRS e confirme os requisitos da garantia pública. Depois peça a dois ou três bancos a FINE e a lista de custos iniciais, para comparar o dinheiro total que tem de ter disponível.

Tem dívidas que já não consegue pagar?

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