Pedir ajuda

Orçamento familiar: como fazer em 6 passos

Por Equipa editorialAtualizado em 10 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

Advogado no escritório de advocacia

Fazer um orçamento familiar é listar, no início de cada mês, o dinheiro que entra e o dinheiro que sai, para saber o que sobra e decidir antes de gastar. Bastam seis passos: somar os rendimentos líquidos, registar as despesas, classificá-las, calcular o saldo, pôr a poupança de lado logo no início do mês e rever o orçamento todos os meses. É também a primeira ferramenta para evitar e resolver dívidas.

Orçamento familiar em resumo

Quando fazerNo início de cada mês, com um orçamento anual para as despesas que só aparecem uma vez por ano
Rendimentos a contarSó os valores líquidos e certos, como salário ou pensão
Despesas a registarTodas, separadas em fixas e variáveis, necessárias e supérfluas
Conta principalSaldo = total de rendimentos menos total de despesas
PoupançaTratada como uma despesa fixa, posta de lado no início do mês
Ferramentas gratuitasSimulador do orçamento familiar do portal Todos Contam
Ajuda com dívidasRede de Apoio ao Cliente Bancário (RACE), com apoio gratuito

Porque vale a pena fazer um orçamento familiar

Sem orçamento, o dinheiro tende a desaparecer em pequenas despesas e o fim do mês chega antes do salário. Com orçamento, fica claro para onde vai cada euro e onde se pode cortar.

O Banco de Portugal descreve o orçamento como uma ferramenta para organizar as finanças e planear as despesas de acordo com os objetivos da família. Ajuda em decisões grandes, como comprar casa ou carro, e na criação de um fundo de emergência para imprevistos.

Para quem já tem dívidas, o orçamento é ainda mais importante. É a base de qualquer negociação com o banco: mostra quanto consegue pagar por mês, com números reais.

Como fazer um orçamento familiar em 6 passos

Os passos seguem a lógica proposta pelo Banco de Portugal no guia como elaborar um orçamento familiar, com dicas práticas para cada um.

1. Some os rendimentos líquidos certos

Escreva todo o dinheiro que entra no agregado familiar num mês, sempre em valores líquidos, ou seja, depois de impostos e descontos. Use o valor que chega à conta, e não o salário bruto do contrato.

Conte apenas rendimentos certos, como o salário, a pensão ou uma renda que recebe todos os meses. Deixe de fora o que não é certo: comissões de vendas, prémios anuais, horas extra ocasionais ou prendas. Se esse dinheiro entrar, é um extra para poupar ou pagar dívidas.

2. Registe todas as despesas

Este é o passo que dá mais trabalho e o que mais ensina. Pegue nos extratos bancários dos últimos dois ou três meses e anote todos os pagamentos, incluindo os pequenos: cafés, aplicações, subscrições, levantamentos em dinheiro.

Não se esqueça das despesas anuais ou semestrais, como seguros, IUC, IMI, material escolar ou revisões do carro. Some o valor anual e divida por 12. Assim, esse dinheiro fica guardado aos poucos, todos os meses, e não apanha a família de surpresa.

3. Classifique as despesas

Separar as despesas mostra onde há margem para mexer. O Banco de Portugal sugere duas classificações:

  • Necessárias ou supérfluas. Necessárias são alimentação, habitação, saúde, educação e vestuário básico. Supérfluas são, por exemplo, restaurantes, viagens e lazer, que podem ser reduzidas ou cortadas.
  • Fixas ou variáveis. Fixas são as que não dependem do consumo, como a renda ou a prestação da casa. Variáveis dependem do consumo, como supermercado, luz, água e gás.

Quanto maior o peso das despesas fixas, mais difícil é aguentar um imprevisto, como uma doença ou uma situação de desemprego. Para medir quanto do rendimento vai para créditos, veja como calcular a taxa de esforço.

4. Calcule o saldo

A conta é simples: saldo igual a total de rendimentos menos total de despesas. Se o saldo for positivo, há margem para poupar. Se for negativo, a família gasta mais do que recebe e o orçamento tem de ser revisto, cortando despesas ou, se possível, aumentando rendimentos.

5. Ponha a poupança de lado no início do mês

O erro mais comum é poupar “o que sobrar”. Quase nunca sobra. O Banco de Portugal recomenda o contrário: tratar a poupança como uma despesa fixa e separá-la logo que o mês começa.

Defina um objetivo concreto, como criar um fundo de emergência, e uma meta a 3, 6 ou 12 meses. Uma transferência automática para outra conta, no dia em que recebe o salário, ajuda a cumprir.

6. Acompanhe e reveja todos os meses

Um orçamento só funciona se for comparado com a realidade. No fim de cada mês, veja onde gastou mais do que previa e ajuste o mês seguinte. Reveja também sempre que algo muda: novo emprego, nascimento de um filho, subida da prestação da casa.

Exemplo de orçamento familiar mensal

Este é um exemplo fictício de um casal com um filho, apenas para mostrar a estrutura.

Rendimentos líquidos1 850 €
Prestação da casa650 €
Supermercado380 €
Luz, água, gás e internet160 €
Transportes e combustível180 €
Crédito pessoal120 €
Saúde e escola90 €
Despesas anuais a dividir por 12 (seguros, IUC)60 €
Lazer e restaurantes100 €
Poupança100 €
Saldo10 €

Neste caso, o saldo é positivo mas apertado. Qualquer imprevisto obriga a mexer no lazer ou na poupança. Se a prestação da casa subir, a família deve agir logo, e não esperar pelo primeiro atraso.

E a regra 50/30/20?

É uma regra prática comum, muito divulgada, para dividir o rendimento líquido: 50% para necessidades, 30% para desejos e 20% para poupança e amortização de dívidas. Não é uma regra oficial nem uma obrigação. Serve como ponto de partida.

Em muitas famílias, só a habitação já ocupa uma grande parte do rendimento, e o método não encaixa. Nesse caso, o mais útil é seguir os seis passos e procurar cortes onde eles existem de facto.

O orçamento não fecha: o que fazer com as dívidas

Se o saldo for negativo mês após mês, cortar no café não chega. É altura de olhar para os créditos.

  1. Fale com o banco antes de falhar. Os bancos têm de acompanhar o risco de incumprimento e, quando o cliente avisa, apresentar propostas. Se já falhou uma prestação, entra em jogo o PERSI, o procedimento de negociação obrigatória.
  2. Calcule o custo dos atrasos. Cada prestação em atraso soma juros e uma comissão. O guia sobre juros de mora mostra quanto custa atrasar.
  3. Avalie se juntar créditos ajuda. Uma prestação única mais baixa pode aliviar o mês, mas pode sair mais cara no total. Leia antes o guia sobre consolidação de créditos.
  4. Peça apoio gratuito. A Rede de Apoio ao Cliente Bancário (RACE) ajuda, sem custos, quem está em risco de não pagar ou já está em atraso.

Perguntas frequentes

Quando devo fazer o orçamento familiar?

No início de cada mês, antes de gastar. Vale a pena fazer também um orçamento anual, para planear as despesas que surgem apenas uma vez por ano.

Devo contar prémios e comissões no orçamento?

No orçamento mensal, conte apenas os rendimentos certos de cada mês. Prémios e comissões incertas ficam de fora e, quando chegam, podem ir para a poupança ou para pagar dívidas.

Qual a diferença entre despesas fixas e variáveis?

As fixas não dependem do consumo e não se cortam a curto prazo, como a renda ou a prestação da casa. As variáveis dependem do consumo, como supermercado ou eletricidade, e podem ser reduzidas.

Quanto devo poupar por mês?

Não há um valor oficial. O importante é definir um objetivo e uma meta, e separar esse valor logo no início do mês, como se fosse uma despesa fixa.

Existe algum simulador gratuito de orçamento familiar?

Sim. O portal Todos Contam, do Plano Nacional de Formação Financeira, tem um simulador do orçamento familiar e um simulador da poupança, ambos indicados pelo Banco de Portugal.

Comece hoje

Reserve uma hora, junte os recibos de vencimento e os extratos dos últimos três meses e preencha os seis passos numa folha de papel ou de cálculo. Pode também usar o simulador do orçamento familiar do Todos Contam.

No fim do primeiro mês, compare o previsto com o real. É nessa comparação que aparecem as poupanças que ninguém via.

Tem dívidas que já não consegue pagar?

Descreva a sua situação. O pedido é enviado para a equipa de advogados de advogados-insolvencias.pt, que analisa o caso e o contacta.

Pedido de contacto (advogados-insolvencias.pt)
Scroll to Top