Para escolher o melhor crédito consolidado para a sua situação, compare o MTIC das propostas para o mesmo montante e prazo, e não a prestação mais pequena. A TAEG ajuda a comparar o custo anual de propostas iguais em montante e prazo, e o MTIC mostra tudo o que vai pagar até ao fim. Uma prestação baixa conseguida com um prazo muito longo pode sair bastante mais cara.
Comparar crédito consolidado em resumo
| TAEG | Custo total anual do crédito em percentagem: juros, comissões, impostos e seguros obrigatórios |
| MTIC | Montante total imputado ao consumidor: tudo o que paga até ao fim |
| Documento a pedir | A ficha de informação normalizada europeia, antes de assinar |
| Prazo máximo recomendado | 7 anos no crédito pessoal, segundo o Banco de Portugal, com exceções |
| Desistir depois de assinar | 14 dias de calendário para revogar, sem indicar motivo |
| Pagar antes do fim | Comissão máxima de 0,5% ou 0,25% em taxa fixa; nenhuma em período de taxa variável |
| Teto legal | TAEG máxima de 15,0% no 4.º trimestre de 2026 para o crédito consolidado sem hipoteca |
O que é o crédito consolidado?
O crédito consolidado é um novo empréstimo que paga vários créditos antigos, como cartões, crédito pessoal ou crédito automóvel. Em vez de várias prestações, fica uma só, normalmente mais baixa, porque o prazo é alargado. O funcionamento geral, os custos e as situações em que convém evitar estão no guia sobre consolidação de créditos. Aqui o foco é outro: como escolher entre propostas.
Há duas famílias de propostas. A consolidação sem garantia é um crédito pessoal. A consolidação com hipoteca junta as dívidas ao crédito da casa ou usa a casa como garantia. Baixa a taxa, mas prolonga o prazo e põe a habitação em risco se as prestações falharem.
TAEG e MTIC: o que significam no crédito consolidado
TAEG, o custo anual completo
A TAEG (taxa anual de encargos efetiva global) junta numa só percentagem os juros e os outros encargos obrigatórios. Entram aqui as comissões de abertura, o imposto do selo e os seguros exigidos. É por isso mais completa do que a TAN (taxa anual nominal), que mede só os juros.
MTIC, o total que sai do bolso
O MTIC (montante total imputado ao consumidor) é a soma do capital emprestado com todos os custos, até à última prestação. É o número mais fácil de entender: diz quanto dinheiro vai pagar no total.
A TAEG só compara bem propostas com o mesmo montante e o mesmo prazo. Quando os prazos são diferentes, uma TAEG mais baixa pode esconder um MTIC mais alto, porque paga juros durante mais anos. Por isso, use as duas medidas em conjunto.
Qual o melhor crédito consolidado? Um exemplo com números
Imagine que uma família quer juntar 15.000 euros de dívidas. As propostas são ilustrativas e as contas incluem só juros e comissão de abertura. O MTIC real de cada banco inclui ainda impostos e seguros, e é esse que deve comparar.
| Proposta | Condições | Prestação | Total pago |
| A | TAN 9%, 7 anos, sem comissão | 241,34 euros | 20.272,24 euros |
| B | TAN 8%, 7 anos, comissão de 300 euros | 233,79 euros | 19.938,63 euros |
| C | Com hipoteca, TAN 4%, 20 anos | 90,90 euros | 21.815,29 euros |
A proposta B tem comissão, mas mesmo assim custa menos 333,61 euros do que a A. A proposta C tem a prestação e a taxa mais baixas, mas é a mais cara no total. E ainda acrescenta custos de avaliação, registos e seguros da hipoteca. Este é o erro mais comum: escolher pela prestação.
Como comparar propostas de crédito consolidado, passo a passo
- Faça a lista das dívidas atuais. Para cada uma, anote o capital em falta, a TAN, a prestação e o prazo restante. O registo da Central de Responsabilidades de Crédito ajuda a confirmar que não falta nenhuma.
- Some o que já vai pagar. Multiplique cada prestação pelos meses que faltam. Este é o custo de não fazer nada, e qualquer proposta deve ser comparada com ele.
- Peça a ficha de informação normalizada a cada banco. A lei obriga a entregar esta informação antes do contrato, com a TAN, a TAEG, o MTIC, a prestação e os encargos.
- Peça o mesmo montante e o mesmo prazo a todos. Só assim a TAEG e o MTIC são comparáveis.
- Some as comissões de saída dos créditos antigos. Liquidar um crédito antes do tempo pode ter comissão de reembolso antecipado, que não aparece na proposta nova.
- Confirme os seguros e produtos associados. Se o seguro for exigido, deve entrar na TAEG. Se for opcional, pergunte quanto custa e se pode escolher outra seguradora.
- Compare o MTIC novo com o custo de não fazer nada. Se a consolidação custar mais no total, só compensa se a família não conseguir mesmo pagar as prestações atuais.
Que limites protegem quem pede crédito consolidado?
TAEG máxima
No crédito aos consumidores existem taxas máximas, calculadas e publicadas pelo Banco de Portugal todos os trimestres, por tipo de crédito. Um contrato com TAEG acima do limite em vigor no momento da assinatura é considerado usurário, e a lei reduz automaticamente essa taxa. No 4.º trimestre de 2026, o limite para outros créditos pessoais, categoria onde entra o crédito consolidado sem hipoteca, é 15,0%. Os valores de cada trimestre estão na página do Banco de Portugal sobre taxas máximas no crédito aos consumidores.
Prazo máximo
Nos limites que o Banco de Portugal recomenda aos bancos, o crédito pessoal não deve ter prazo superior a 7 anos. Algumas finalidades comprovadas, como educação e saúde, podem chegar a 10 anos. Estes limites não se aplicam quando a consolidação serve para prevenir ou regularizar atrasos noutros créditos, como explica a página sobre avaliação da solvabilidade. Nesse caso, confirme o prazo e o MTIC com ainda mais cuidado.
Taxa de esforço
O banco tem de avaliar se a família consegue pagar. Conta todas as prestações de crédito face ao rendimento líquido e, em regra, o total não deve passar de 45% desse rendimento. Antes de pedir propostas, vale a pena fazer a mesma conta em casa com o guia para calcular a taxa de esforço.
Direitos depois de assinar o crédito consolidado
- Livre revogação. No crédito pessoal ao consumo, regulado pelo Decreto-Lei n.º 133/2009, pode desistir do contrato no prazo de 14 dias de calendário, sem indicar motivo. Tem de devolver o capital e os juros desses dias no prazo de 30 dias após o aviso.
- Reembolso antecipado. Pode pagar antes do fim, no todo ou em parte, avisando o banco com pelo menos 30 dias de calendário. Em taxa fixa, a comissão não pode passar de 0,5% do capital reembolsado, ou de 0,25% se faltar um ano ou menos para o fim. Em período de taxa variável, não há comissão.
- Consolidação com hipoteca. Segue as regras do crédito à habitação, com outras comissões e prazos. Se for este o caminho, veja também a escolha entre taxa fixa, variável ou mista.
Sinais de alerta numa proposta de crédito consolidado
- Publicidade que só mostra a prestação, sem TAEG nem MTIC.
- Pedidos de pagamento adiantado para “desbloquear” o crédito.
- Pressão para assinar no próprio dia, sem levar a ficha para casa.
- Um montante maior do que as dívidas a liquidar, oferecido “para folga”. É mais dívida com o mesmo prazo longo.
- Seguros ou cartões apresentados como obrigatórios sem que apareçam na TAEG.
Perguntas frequentes
Devo escolher o crédito consolidado com a TAEG mais baixa?
Só se as propostas tiverem o mesmo montante e o mesmo prazo. Com prazos diferentes, compare o MTIC, porque uma taxa mais baixa durante mais anos pode custar mais no total.
O MTIC inclui os seguros?
Inclui os encargos que o banco exige para conceder o crédito, como os seguros obrigatórios. Os produtos opcionais podem ficar de fora, por isso pergunte sempre o custo de cada um.
Posso desistir do crédito consolidado depois de assinar?
No crédito pessoal ao consumo, tem 14 dias de calendário para revogar o contrato, sem dar motivo. Deve avisar o banco em papel ou noutro suporte duradouro e devolver o dinheiro com os juros desses dias.
A consolidação apaga os atrasos na Central de Responsabilidades?
Não. A informação já comunicada só pode ser alterada ou retificada pela entidade que a comunicou. Se a consolidação servir para prevenir ou regularizar atrasos, o novo contrato fica assinalado como renegociação durante 6 ou 12 meses.
Vale a pena consolidar com hipoteca?
A prestação desce muito, mas o total pago costuma subir e a casa passa a garantir dívidas de consumo. Só faz sentido depois de comparar o MTIC com o custo de manter os créditos atuais.
O que fazer a seguir
Reúna os contratos e os últimos extratos de todos os créditos, e calcule quanto ainda vai pagar sem consolidar. Depois peça a pelo menos dois bancos a ficha de informação normalizada para o mesmo montante e prazo, e compare o MTIC antes da prestação. Se a família já não consegue pagar, fale primeiro com o banco atual, que tem deveres de negociação quando há risco de incumprimento.
Tem dívidas que já não consegue pagar?
Descreva a sua situação. O pedido é enviado para a equipa de advogados de advogados-insolvencias.pt, que analisa o caso e o contacta.
