Pedir ajuda

Consolidar créditos: como funciona, quanto custa e quando evitar

Por Equipa editorialAtualizado em 2 de outubro de 2026 · 8 min de leitura

Advogado a analisar documentos de crédito no escritório

Consolidar créditos é juntar várias dívidas num único crédito novo, com uma só prestação mensal, que costuma ser mais baixa porque o prazo fica mais longo. O alívio no orçamento é real, mas o custo total do dinheiro emprestado tende a subir. Antes de assinar, compare a TAEG e o MTIC das propostas e confirme que o problema não é gastar mais do que ganha.

Consolidação de créditos em resumo

O que éUm crédito novo que paga os créditos antigos e os substitui por uma só prestação
ModalidadesSem hipoteca (crédito aos consumidores) ou com hipoteca sobre um imóvel
TAEG máxima sem hipoteca15,0% no 4.º trimestre de 2026 (categoria “outros créditos pessoais”, que inclui o consolidado)
Principais custosJuros, comissões, imposto do selo, seguros exigidos e, com hipoteca, avaliação e registos
Créditos antigosPodem cobrar comissão de reembolso antecipado, conforme o tipo de taxa e de contrato
Direito de desistir14 dias de calendário nos créditos aos consumidores
Taxa de esforçoO limite de 45% não se aplica quando a consolidação serve para evitar ou resolver atrasos
Em dificuldades (PARI ou PERSI)Sem comissões e com taxa de juro não superior à média ponderada dos créditos juntos

O que é consolidar créditos?

Imagine três dívidas: um cartão de crédito, um crédito pessoal e um crédito automóvel. Cada uma tem a sua prestação, a sua data e a sua taxa de juro. Na consolidação, um banco ou financeira empresta o valor total, paga as três dívidas e passa a cobrar uma só prestação.

O Banco de Portugal chama-lhe “concentração de créditos num único empréstimo”. Quando não tem hipoteca, entra no regime do crédito aos consumidores, na mesma categoria dos outros créditos pessoais.

Como funciona a consolidação de créditos, passo a passo

  1. Faça a lista completa das dívidas. O mapa de responsabilidades do Banco de Portugal mostra todos os créditos em seu nome.
  2. Peça propostas a mais do que uma instituição e exija a ficha de informação normalizada (FIN) de cada uma.
  3. A instituição avalia a sua solvabilidade, ou seja, a capacidade para pagar, e consulta a Central de Responsabilidades de Crédito.
  4. Se aprovar, o novo credor paga os créditos antigos, que ficam liquidados antecipadamente.
  5. Passa a pagar uma só prestação. Peça as declarações de liquidação dos contratos antigos e confirme num mapa posterior que já não aparecem em dívida.

Consolidar créditos com ou sem hipoteca

Sem hipoteca

É a forma mais comum para dívidas de consumo. Aplica-se o regime do crédito aos consumidores, em regra para montantes entre 200 e 75 000 euros. A taxa tem um teto: em cada trimestre, o Banco de Portugal publica as taxas máximas do crédito aos consumidores. Para os outros créditos pessoais, onde entra o consolidado, a TAEG máxima é de 15,0% no 4.º trimestre de 2026.

Com hipoteca

Aqui, a dívida fica garantida por uma casa. A taxa costuma ser mais baixa e o prazo mais longo, mas o risco muda de natureza: se deixar de pagar, o banco pode avançar para tribunal e para a venda do imóvel. Estes créditos seguem as regras do crédito à habitação.

Há custos próprios: a avaliação do imóvel por um perito, os registos e, mais tarde, a comissão de reembolso antecipado, que pode chegar a 0,5% do capital pago antes do prazo em taxa variável ou a 2% em taxa fixa.

Quanto custa consolidar créditos?

TAEG e MTIC: os dois números a comparar

A TAEG (taxa anual de encargos efetiva global) mostra o custo total do crédito numa percentagem anual. Inclui juros, comissões, impostos e seguros exigidos. O MTIC (montante total imputado ao consumidor) é o valor total que vai pagar até ao fim, em euros.

Uma prestação baixa não significa crédito barato. O MTIC é o número que mostra quanto a consolidação custa realmente.

Exemplo com números

Valores hipotéticos, só para ilustrar. Três dívidas somam 14 000 euros e custam 550 euros por mês. Admitindo uma taxa média de 12%, ficariam pagas em cerca de 30 meses, com um total pago de perto de 16 240 euros.

Uma consolidação de 14 000 euros a 7 anos, com taxa nominal de 10%, baixa a prestação para cerca de 232 euros. Mas o total pago sobe para perto de 19 520 euros, antes de comissões, seguros e imposto do selo. A 4 anos, a prestação seria de cerca de 355 euros e o total de perto de 17 040 euros.

A conclusão é simples: a mesma taxa mais baixa pode sair mais cara se o prazo for muito mais longo.

Comissões para liquidar os créditos antigos

Ao liquidar um crédito aos consumidores antes do prazo, só pode haver comissão se a taxa for fixa nesse período: no máximo 0,5% do capital reembolsado, ou 0,25% se faltar um ano ou menos para o fim. Em taxa variável e nos descobertos, não há comissão. As regras estão na página do Banco de Portugal sobre reembolso antecipado.

Nos créditos à habitação, a comissão máxima é de 0,5% em taxa variável e 2% em taxa fixa, e não se aplica em caso de morte, desemprego ou deslocação profissional.

Consolidar créditos quando já há atrasos

Se já falhou prestações, ou está perto disso, a consolidação pode surgir dentro dos procedimentos obrigatórios dos bancos: o PARI, antes do atraso, e o PERSI, depois do atraso. Nestes casos, a lei protege o cliente:

  • o banco não pode cobrar comissões pela renegociação ou consolidação que vise prevenir ou regularizar o incumprimento;
  • a taxa de juro do crédito consolidado não pode ser superior à média ponderada das taxas dos contratos juntos;
  • só pode cobrar custos pagos a terceiros, como registos ou impostos, com justificação documental.

Por isso, quem está em dificuldades deve falar primeiro com o próprio banco e, se já tiver prestações em atraso, pedir a integração no PERSI, como explica a página do Banco de Portugal sobre gestão do incumprimento, antes de aceitar uma proposta externa mais cara. Nestas consolidações, o limite de taxa de esforço de 45% também não se aplica.

Quando evitar consolidar créditos

  • Quando o problema é gastar todos os meses mais do que entra. A prestação desce, os cartões ficam livres e a dívida volta a crescer.
  • Quando o MTIC da proposta é muito superior ao que pagaria se mantivesse os créditos atuais.
  • Quando a proposta pede a casa como garantia para pagar dívidas de consumo e o rendimento é instável.
  • Quando há atrasos e o banco ainda não apresentou propostas no PARI ou no PERSI.
  • Quando o intermediário que propõe o crédito não consta da lista de intermediários de crédito autorizados pelo Banco de Portugal.
  • Quando, mesmo com a prestação mais baixa, não consegue pagar sem falhar outras despesas essenciais.

Neste último caso, juntar dívidas pode só adiar o problema. Para perceber as alternativas, vale a pena ler a comparação entre consolidação de créditos e insolvência pessoal de advogados-insolvencias.pt.

Como comparar propostas de crédito consolidado

  1. Peça simulações para o mesmo montante e o mesmo prazo.
  2. Compare a TAEG e o MTIC de cada FIN, e não apenas a prestação.
  3. Verifique se a TAEG respeita a taxa máxima do trimestre.
  4. Veja que seguros, contas ou outros produtos são exigidos e quanto custam.
  5. Confirme que todas as dívidas que quer juntar ficam incluídas e liquidadas.
  6. Depois de assinar, lembre-se de que tem 14 dias para desistir de um crédito aos consumidores sem dar explicações.

Perguntas frequentes

Consolidar créditos baixa sempre o custo total?

Não. A prestação costuma baixar porque o prazo aumenta, mas o total de juros pode subir. Compare o MTIC da proposta com o que ainda pagaria nos créditos atuais.

Qual é a TAEG máxima de um crédito consolidado?

Sem hipoteca, o crédito consolidado entra na categoria de outros créditos pessoais, com uma TAEG máxima de 15,0% no 4.º trimestre de 2026. O Banco de Portugal revê estas taxas máximas todos os trimestres.

Posso consolidar créditos com atrasos no Banco de Portugal?

Pode ser mais difícil, porque o banco vê os atrasos na Central de Responsabilidades de Crédito. Se a dívida já está em atraso, o próprio banco tem de avaliar soluções no PERSI, e a consolidação feita nesse âmbito não pode ter comissões nem taxa superior à média dos créditos juntos.

Os créditos antigos cobram comissão quando são liquidados?

Pode haver comissão nos créditos aos consumidores com taxa fixa, até 0,5% ou 0,25% do capital, e nos créditos à habitação, até 0,5% em taxa variável ou 2% em taxa fixa. Em taxa variável no crédito aos consumidores e nos descobertos não há comissão.

Posso desistir de um crédito consolidado depois de assinar?

Sim, nos créditos aos consumidores tem 14 dias de calendário para revogar o contrato sem indicar motivo. Tem de devolver o capital e os juros desde que usou o dinheiro, num prazo máximo de 30 dias.

O que fazer a seguir

Junte o mapa de responsabilidades, os últimos extratos de cada crédito e os comprovativos de rendimento. Calcule a sua taxa de esforço atual e peça pelo menos duas propostas com FIN. Se já há prestações em atraso, comece por pedir ao seu banco a integração no PERSI e só depois compare com outras soluções.

Tem dívidas que já não consegue pagar?

Descreva a sua situação. O pedido é enviado para a equipa de advogados de advogados-insolvencias.pt, que analisa o caso e o contacta.

Pedido de contacto (advogados-insolvencias.pt)
Scroll to Top