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Taxa de esforço: o que é e como calcular

Por Equipa editorialAtualizado em 30 de setembro de 2026 · 8 min de leitura

Advogado no escritório de advocacia

Para calcular a taxa de esforço, some todas as prestações mensais de créditos, divida o total pelo rendimento mensal líquido e multiplique por 100. Quem ganha 2 400 euros líquidos e paga 880 euros de prestações tem uma taxa de esforço de cerca de 36,7%. Em 2026, o Banco de Portugal recomenda que, em regra, este valor não passe de 45% nos novos créditos.

Taxa de esforço em resumo

Fórmula(soma das prestações mensais ÷ rendimento mensal líquido) × 100
Rendimento usadoLíquido de impostos e de contribuições obrigatórias para a Segurança Social
Prestações incluídasTodos os créditos, incluindo a prestação do crédito que se quer pedir
Limite recomendado em 2026Em regra, 45% do rendimento líquido (era 50% antes da revisão de 2026)
Natureza do limiteRecomendação macroprudencial do Banco de Portugal; o banco avalia sempre cada caso
Créditos fora do limiteCréditos até dez salários mínimos, cartões e linhas de crédito, descobertos e consolidações para evitar ou resolver atrasos
Prova de rendimentosO banco considera, no mínimo, os três meses anteriores à avaliação

O que é a taxa de esforço?

A taxa de esforço mede a parte do rendimento que fica presa ao pagamento de créditos. Os bancos também lhe chamam rácio DSTI, uma sigla inglesa para a relação entre prestações e rendimento.

O Banco de Portugal define-a como o quociente entre o valor mensal das prestações dos créditos e o rendimento mensal. Quanto mais alta, menos dinheiro sobra para casa, comida, transportes e imprevistos.

Como calcular a taxa de esforço passo a passo

  1. Some o rendimento mensal líquido de todos os titulares do crédito: salários, pensões, rendimentos de prestação de serviços ou prestações sociais regulares, já sem IRS e sem contribuições para a Segurança Social.
  2. Faça a lista de todas as prestações mensais: casa, carro, crédito pessoal, cartões com prestação fixa, crédito para obras.
  3. Acrescente a prestação prevista do crédito novo, se estiver a preparar um pedido.
  4. Divida o total das prestações pelo rendimento líquido.
  5. Multiplique o resultado por 100 para obter a percentagem.

Para não esquecer nenhum crédito, o melhor ponto de partida é o mapa de responsabilidades do Banco de Portugal, que lista todos os contratos em seu nome.

Exemplo 1: uma pessoa com casa e carro

Rendimento líquido de 2 400 euros. Prestação da casa de 700 euros e do carro de 180 euros. Total de 880 euros.

Cálculo: 880 ÷ 2 400 = 0,367. Multiplicado por 100, dá uma taxa de esforço de cerca de 36,7%. Com o limite de 45%, a soma das prestações poderia chegar a 1 080 euros (2 400 × 0,45), o que deixa uma margem de 200 euros.

Exemplo 2: um casal com três créditos

Rendimentos líquidos de 1 600 e 1 300 euros, num total de 2 900 euros. Prestações de 850 euros na casa, 150 euros num crédito pessoal e 60 euros num cartão de crédito. Total de 1 060 euros.

Cálculo: 1 060 ÷ 2 900 = 0,366, ou seja, cerca de 36,6%. Se o casal quisesse um novo crédito, a soma de todas as prestações não deveria, em regra, passar de 1 305 euros (2 900 × 0,45).

Que rendimento conta para calcular a taxa de esforço?

Segundo o Banco de Portugal, a avaliação deve basear-se, de preferência, em rendimentos regulares, como salários, remunerações por prestação de serviços ou prestações sociais. O banco deve olhar, no mínimo, para os três meses anteriores e não pode contar com aumentos futuros.

Na prática, prémios pontuais, horas extra irregulares ou rendimentos que não consegue provar podem não ser considerados da mesma forma. O banco pode pedir os comprovativos de rendimentos dos últimos três meses e informação sobre despesas regulares.

Que despesas e prestações entram na conta?

Entram as prestações de todos os empréstimos que o cliente já tem e a do crédito que pretende contratar. Além disso, o banco deve considerar despesas pessoais e familiares razoáveis e alguns riscos futuros:

  • a descida do rendimento na reforma ou no fim de um contrato de trabalho, se o crédito durar para lá dessa data;
  • o aumento de despesas se for fiador ou avalista de outras dívidas;
  • a subida da prestação se a taxa de juro aumentar, nos créditos com taxa variável ou mista;
  • a mudança da prestação quando acaba um período de carência ou de diferimento de capital.

Por isso, a taxa de esforço que o banco calcula pode ser mais alta do que a conta feita em casa.

Qual é a taxa de esforço máxima em 2026?

Em 2026, o Banco de Portugal reviu a sua recomendação e o limite passou a ser de 45%. O Portal do Cliente Bancário explica que o total das prestações mensais, incluindo a do novo empréstimo, não deve, em regra, exceder 45% do rendimento líquido. Antes desta revisão, a referência era metade do rendimento.

A expressão “em regra” é importante. Significa que a recomendação admite exceções. Também não é uma garantia: mesmo com uma taxa de esforço abaixo de 45%, o banco pode recusar o crédito depois de avaliar a solvabilidade.

Créditos onde o limite não se aplica

  • créditos para prevenir ou regularizar atrasos noutros créditos, por exemplo através de consolidação ou refinanciamento;
  • cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos;
  • locação financeira de imóveis;
  • créditos de montante igual ou inferior a dez vezes o salário mínimo (com o salário mínimo de 920 euros em vigor no continente em 2026, isto dá 9 200 euros).

Outros limites que o banco aplica ao mesmo tempo

A taxa de esforço não é o único travão. O crédito à habitação própria e permanente não deve passar de 90% do valor do imóvel. O prazo máximo é de 40 anos até aos 35 anos de idade e de 35 anos para quem tem mais de 35. O crédito pessoal tem, em regra, um prazo máximo de 7 anos e o crédito automóvel de 10 anos.

Taxa de esforço no crédito habitação

No crédito à habitação, a taxa de esforço é muitas vezes o fator que decide o valor máximo do empréstimo. Um prazo mais longo baixa a prestação, mas aumenta os juros pagos no total. Uma entrada maior reduz o montante pedido e, com ele, a prestação.

A taxa de esforço também aparece noutros momentos da vida do crédito. Num crédito para habitação própria permanente, em caso de divórcio, separação, fim da união de facto ou morte de um dos cônjuges, o banco não pode aumentar o spread ao novo titular se a prestação representar uma taxa de esforço inferior a 55% para o seu agregado, ou 60% se houver dois ou mais dependentes.

Como baixar a taxa de esforço antes de pedir crédito

  • Liquidar primeiro os créditos pequenos que já estão quase pagos.
  • Cancelar cartões e linhas de crédito que não usa, porque contam como responsabilidades potenciais na Central de Responsabilidades de Crédito.
  • Juntar mais poupança para a entrada e pedir menos dinheiro.
  • Incluir um segundo titular com rendimentos regulares, se fizer sentido para a família.
  • Confirmar no mapa de responsabilidades que não há créditos antigos ou fianças esquecidas.

Se a taxa de esforço já é alta e as prestações começam a pesar, avise o banco cedo. A lei obriga-o a ter um plano de ação para o risco de incumprimento e a apresentar propostas quando o cliente ainda consegue pagar.

Perguntas frequentes

Qual é a fórmula da taxa de esforço?

Taxa de esforço = (soma das prestações mensais de créditos ÷ rendimento mensal líquido) × 100. Por exemplo, 900 euros de prestações para 2 000 euros de rendimento líquido dão 45%.

A taxa de esforço usa o salário bruto ou líquido?

Usa o rendimento líquido, ou seja, depois de retirados os impostos e as contribuições obrigatórias para a Segurança Social. É por isso que a conta com o salário bruto dá sempre um valor enganador.

Qual é a taxa de esforço máxima para crédito habitação em 2026?

A recomendação do Banco de Portugal aponta para um máximo de 45% do rendimento líquido, em regra. Pode haver exceções, mas o limite é a referência geral para os novos créditos.

Os cartões de crédito contam para a taxa de esforço?

As prestações que paga em cartões entram na soma das suas despesas com créditos. Os cartões não estão sujeitos ao limite de 45% quando são eles o crédito pedido, mas o banco vê o seu saldo e o seu limite na Central de Responsabilidades de Crédito.

Uma taxa de esforço abaixo de 45% garante a aprovação do crédito?

Não. O banco tem de avaliar a solvabilidade de cada cliente e pode recusar mesmo com uma taxa de esforço baixa. Se a recusa resultar da consulta a bases de dados de crédito, tem de informar o cliente.

O que fazer a seguir

Reúna os recibos de vencimento ou de pensão dos últimos três meses e a lista de todas as prestações. Faça a conta com a fórmula deste guia e confirme o resultado com o simulador do banco. Antes de assinar, peça a ficha de informação normalizada e compare a prestação com a margem que lhe sobra todos os meses.

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